Os primeiros passos
O toy art chegou ao Brasil no início dos anos 2000, principalmente através de importações e da internet. Colecionadores das grandes cidades — sobretudo São Paulo e Rio de Janeiro — começaram a adquirir peças de artistas internacionais e a se conectar com a comunidade global do movimento. Mas logo surgiram os primeiros artistas brasileiros que não apenas consumiam, mas criavam.
A cena paulistana foi pioneira: artistas ligados ao grafite e ao design gráfico começaram a produzir figuras que misturavam a estética do toy art internacional com referências da cultura brasileira. O resultado foi uma produção original, com identidade própria, que logo chamou atenção além das fronteiras nacionais.
Feiras e eventos
A SP Toy Art, realizada anualmente em São Paulo, tornou-se o principal evento do setor no Brasil. Reunindo artistas, colecionadores e marcas de todo o país — e também internacionais —, a feira é um termômetro da cena nacional e um espaço de descoberta para novos públicos.
A CCXP (Comic Con Experience), maior evento de cultura pop da América Latina, também incorporou o toy art como parte central de sua programação. O Artist Alley e as áreas de exposição da CCXP apresentam anualmente dezenas de artistas brasileiros de toy art para um público de centenas de milhares de pessoas.
Referências culturais brasileiras
O que torna o toy art brasileiro único é sua capacidade de absorver e reinterpretar referências culturais nacionais. Elementos da fauna e flora brasileiras — onças, araras, vitórias-régias — aparecem em figuras que dialogam com a estética do toy art internacional. Personagens do folclore — Saci, Curupira, Iara — ganham novas roupagens contemporâneas.
A cultura afro-brasileira, com seus orixás e rituais, inspira obras de grande força visual e simbólica. Essa riqueza cultural é uma vantagem competitiva do toy art brasileiro no cenário internacional: há um universo de referências ainda pouco explorado, com potencial enorme de originalidade e impacto.
Guarapuava e o interior do Brasil
A mostra Brinquedos que Encantam é um exemplo de como o toy art está se expandindo para além dos grandes centros urbanos. Ao chegar a Guarapuava, no interior do Paraná, a mostra leva para um novo público uma arte que, até pouco tempo atrás, circulava quase exclusivamente em São Paulo e Rio de Janeiro.
Esse movimento de interiorização é fundamental para a consolidação do toy art como expressão artística genuinamente nacional — presente em todo o Brasil, não apenas nas metrópoles.